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Existe esperança para o pequenos varejista?

por LIMA


O pequeno e médio varejista nunca esteve em uma situação de insegurança como nos dias de hoje. insegurança

  

As grandes redes estão com um apetite insaciável, todos os dias lemos noticias de expansão das mesmas e paradoxalmente os independentes em dificuldades cada vez maior. Resumindo a situação é de apreensão e de desconforto por parte dos proprietários.

  

Se fizermos uma analise financeira das grandes redes percebemos que as margens ou os lucros são cada vez menores e quando comparamos com os independentes verificamos que somos mais lucrativos que eles, mas a grande diferença é o volume de vendas.

Tenho verificado , ainda, farmácias faturando quinze , vinte mil mensais, com um lucro liquido de 8 a 10 % , o que quer dizer um lucro maravilhoso, mas sobre quinze mil sobra hum mil e quatrocentos reais, impossível de sobreviver.

  

Eu comparo ao momento do pequeno varejista ao da padaria, quando os hipermercados entraram no mercado  e quem só vendia pãozinho fechou. As padarias precisaram se reinventar para continuar no mercado e hoje vemos as mesmas vendendo até pão, pois as maiores receitas vem de outros produtos.

 

Acontece que esse reinventar não está acontecendo.

 

1) Ainda o foco não está na estruturação da equipe;

2) Comprar com desconto é a grande preocupação esquecendo de vender bem o produto, reduzindo o desconto, aumentando o serviço...

3) As lojas não tem acompanhado a estrutura da Rede ( iluminação, layout, limpeza, organização, uniforme...)

4) Não existe diferencial que faça o cliente decidir pela Rede (crediário, entregas, aplicação, serviços)

5) Os membros da equipe ainda ganham o salário de forma muito diferente, priorizando alguns e prejudicando outros;

6) O foco da venda ainda está em alguns produtos e não em todas as categorias;

7) O estoque ainda é muito mal gerenciado (produtos sem giro, vencidos,...)

8) Não existe a preocupação com a Gestão ( lojas mal gerenciadas financeiramente)

 

Será que existe esperança? Temos visto que sim, mas precisamos no reinventar e muito. Mas para isso é preciso comprar a farmácia novamente, mudar a cultura e ser empreendedor.

 

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Entrevista que realizamos para a Revista Guia da Farmácia sobre o Pequeno Varejista.
  
Entrevistado: Marcelo Cristian
Jornalista Ligia Favoretto - Guia da Farmácia  

 

1) Como o senhor analisa a situação das farmácias independentes hoje no Brasil?
 
Alguns proprietários de farmácia, ainda não entenderam que estamos em um momento de grande profissionalização do setor e sem espaço para o amadorismo. Não existe espaço para falta de seriedade com que alguns empresários ainda brincam de ter farmácia. As farmácias independentes necessitam urgente de reestruturação de seus processos e serviços para se adaptar as mudanças.

2) Quais as práticas desse varejo?

Farmácias conceituadas no mercado;

·         Profissionais competentes em temas relevantes de atendimento a cliente (mas, totalmente amadores na gestão)

·          Prestadora de serviços e reconhecido pelo cliente, por exemplo, o cliente compra um injetável em uma rede e vai até o peq. Varejo para aplicar...

3) Quais as conquistas e o quais as limitações?
 
Novas exigências surgem diante das mudanças que o mercado sofreu ( ausência da inflação, lei do genérico, criação da ANVISA, Novos players como os Supermercados, Queda da informalidade, novas leis)

·         Conhecimento tributário;

·         Conhecimento de MKT, para causar a diferenciação no varejo

·         Gestão das contas para brigar com o preço (guerra de desconto)

·         Conhecimento em RH (alta exigência de conhecimentos técnicos,)

·         Preparo das lojas

·         Informatização

·         Equipe

·         Layout

Ex. dessas mudanças

Uma dessas mudanças está relacionada as operações. Comprar já não era tão simples assim. Seria necessário uma avaliação de quem estava comprando e em quais condições e de onde viria esta mercadoria. Com a guerra fiscal entre os estados as farmácias e drogarias necessitam cada vez mais de melhorar as operações de compras.

Com isso, as indústrias que antes deixava todo o processo para as distribuidoras e apenas ficava com a fabricação agora vai até o PDV colocando suas equipes para realizar a promoção e a venda de seus produtos. O PDV que antes era apenas o comprador de medicamentos passa a ser visto como Revendedor, um modelo semelhante ao que aconteceu com o ramo supermercadista.

 

4) O que é preciso fazer para que esses varejistas prosperem e não desapareçam do mercado?
 
A primeira coisa é que cada varejista se encontre. Isso é, defina o que quer? È desconto? É serviço? É preço? Vai crescer? Tem metas? Serão profissionalizados
Farmácias que não se acham perdem-se muito nas estratégias. Ficam mudando de cara, de roupa, e nisso perdem a identidade e nessa perda, destroem o que constroem junto ao cliente

 
5) O senhor acredita que esses varejistas podem mesmo 'sumir'do mercado?
 
Não acretido! Até porque existe espaço para eles. Os grandes varejistas não conseguem e nunca conseguirão atender de acordo com o pequeno. Só que precisa definir o formato de negócio!

 
6) Como eles se comportam diante da concorrência?
 
Perdidos, sem estratégia, algumas vezes temerosos e não se valorizando, outras vezes, sendo imprudentes"


 

7) Falta profissionalização?
 
Muito, principalmente nas áreas de gestão:
 
Financeira, pois na inflação não seria necessário o controle
Estratégica, pois nunca foi exigido responder a pergunta: Para onde vamos
Tributária, pois hoje faz se necessário esse conhecimento para o melhor gestão junto aos impostos pagos e aos benefícios que cada regime dispoe

8) O crescimento das grandes redes 'atrapalha' o desenvolvimento do pequeno varejo?
 
Com certeza!

9) Hoje as vendas das farmácias em geral estão mais voltadas para não medicamentos, o pequeno varejo tende a seguir os mesmos rumos das grandes?
 
Não tenho ferramentas hoje para medir isso. Mas, a tendência da farma´cia ser mais bonita e vender mais perfumaria é geral. No entanto, medicamentos é o grande forte dos pequenos varejistas.

10) Por se tratar de um segmento com diversas restrições impostas pela Anvisa, os pequenos varejistas encontram ainda mais dificuldades ou estão aptos para atender a isso?
 
As restrições prejudicam e muito o pequeno varejo, mas acredito que em alguns casos as Redes sofrem mais. Ou, é o que parece até porque as Redes possuem mecanismos para Brigar, diferente dos pequenos que tem que pagar.
No entanto, a fiscalização ainda é insuficiente, se aumentasse o pequeno sofreria muito;

11) É saudável paa o varejo como um todo a grande diferença concorrencial que existe entre os pequenas farmácias e grandes redes?
 
Quem ganha é o cliente! Mas, também sabemos que muitos varejistas cresceram com as Redes, pois foram atrás do tempo perdido e se profissionalizaram!

12) Por que o varejo ainda tem a prática dos descontos como principal atrativo?
 
Porque não tem mais nada a oferecer

 Preço é importante mas não é o principal fator que leva um consumidor ou empresa a se decidir por um fornecedor, parceiro ou loja. Preço é um dos 4 itens básicos do marketing e ponto final. Tem que andar lado a lado com os outros itens, com o mesmo peso e importância. No entanto, existem farmácias caído aos pedaços, sem estrutura alguma, sem projeto, sem diferencial e anunciando preço baixo.

Alguns varejistas imaginam que a Rede só oferece preço, mas é uma inverdade, eles possuem imagem de preço e aí mora o diferencial. descontos não lineares Categorias selecionadas para o desconto, MKT de fidelização, Lojas bonitas, Serviço diferenciado e claro -preço

13) Hoje, preço não é mais o grande diferencial. O pequeno varejo está apto para oferecer outras propostas ao consumirdor?
 
As que se decidiram e possui um sistema de gestão capaz de sugerir o caminho a seguir sim. Mas notemos que preço sempre é importante na categoria de itens oferecidos! Mas existem como voce disse outras propostas
 atendimento diferenciado:

investimento em MKT atuante em áreas que o concorrente não vai

 
o  Entregas
 
o  Serviços nas áreas de perfumaria
 
o  Convênios locais
 
o  Atendimento personalizado

14) A Anvisa quer que as farmácias se tranformem em estabelecimentos de saúde e não em centros comercias. O pequeno varejo segue esse raciocínio?
 
Não posso afirmar q segue, pois como disse falta estratégia, mas exerce algo mais parecido com o que a ANVISA pretende (serviços farmacêuticos)


15) Por que as grandes redes crescem tanto? O senhor acha que teremos algum modelo parecido com a Walgreens ou CVS no Brasil?
 
Quem mais se aproveitou desta situação de informalidade e ausência de profissionalismo foram as grandes redes que com um sistema profissional de Gestão se fortificou neste formato de negócio. O Controle de estoque, as compras profissionais, as análises para as decisões e as grandes negociações com laboratórios e distribuidoras fizeram com que estas Redes crescessem de forma vertiginosa. A análise de crescimento não mais se baseou no faturamento, isto é, a farmácia que vendia muito estava tendo lucro, muito pelo contrário. Houve a necessidade de analisar os resultados com outros indicadores, um deles a rentabilidade das operações. Discernir exatamente o MIX de produto de acordo com a margem de contribuição deixada e aliar com a imagem do cliente na percepção do preço

 

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