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Eu escutei os conselhos de pessoas mais inteligentes do que eu, e ignorei a todos.


“Ninguém pode voltar atrás e começar de novo, mas todos podemos começar hoje e ter um novo final.”

Querida(o) Amiga(o),

A minha filha estuda em uma escola construtivista. Ela estuda coisas completamente irrelevantes para os padrões tradicionais. Ela não se levanta da cadeira quando alguma autoridade entra na sala de aula. Ela não desenha dentro dos quadradinhos, bolinhas e triângulos. Ela tem mais aulas de arte, brincadeiras e inglês do que matemática e ciências. Ela faz – dentro de uma certa medida – o que quiser.

Minha filha não cumprimenta “direito” o avô dela, mas pula no colo da avó. Meu pai diz que ela precisa cumprimentar os mais velhos. Eu digo, “Se vira, conquista ela”.

Todos nós sabemos o resultado que a educação atual teve sobre o Brasil: somos um país de terceiro mundo com um razoável desenvolvimento econômico e péssima evolução moral.

As nossas melhores escolas tradicionais não conseguiram educar a elite brasileira para alguma coisa que presta. A elite brasileira é ridícula. Egoísta, fechada e mesquinha.

Eu não tenho a mínima vontade de ser famoso, ou fazer parte de alguma elite.

Imagina tomar um chá da tarde com a Hebe, ou comer uma pizza com o Faustão e amigos. Imagina ter que usar camisetas da Abercrombie e relógios do Michael Kors para ser aceito pela turma que frequenta o Ecco em São Paulo.

Eu não quero essa droga.

Eu quero mudanças.

Mudanças reais.

O que você vai responder a sua filha quando ela te perguntar aos 12 anos de idade:

“Pai, a minha professora mandou decorar quem foi Tomé de Sousa e Mem de Sá. Eu não gosto desses caras. Não vejo sentido algum em decorar isso, tá tudo no iPhone e no iPad. O que essa informação vai agregar para a minha vida?”

“Filha, Mem de Sá e Tomé de Souza foram uns políticos portugueses zé manés que não fizeram nada de relevante para o Brasil. Esquece eles. Pode tirar zero nessa prova, ou melhor, cola na prova.”

Eu quero mudanças, mudanças reais!

Nós não podemos educar ou gerenciar a geração de jovens que estão chegando para trabalhar com as mesmas idéias e premissas que gerenciamos esse bando de velhos caquéticos que ainda estão tocando a papelada desse Brasil.

Semanas atrás eu estive no escritório da BASF na Nova Faria Lima em São Paulo e fiquei realmente surpreso ao encontrar centenas de jovens trabalhando no imenso salão de escritório da tradicional empresa química. Eu contei uns 200 moleques e 2 velhos de 50 anos deslocados no meio da “galera”.

Se você ainda não notou, as coisas mudaram. A nova geração tomou o poder, ou deve tomar o poder.

Talvez quebremos a cara mudando a maneira com que educamos e gerenciamos as pessoas, mas uma coisa é certa: fazendo diferente vamos ter resultados diferentes.

“A coisa mais estúpida que uma pessoa pode fazer na vida é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Albert Einstein.

Eu quero mudanças, mudanças reais!

Deixa eu introduzir a você alguns novos princípios que devem servir de fundação para um novíssimo Manual de Gestão de Funcionários para os dias de hoje.

PRIMEIRO PARÁGRAFO: O funcionário pode demitir o chefe. Ok, eu aceito trabalhar na sua empresa. Mas, se o meu chefe não for excelente o suficiente para me liderar eu quero ter a liberdade para falar com alguém sobre como trocar de chefe. A geração de jovens da BASF está acostumada a ter as situações modificadas para atender as suas vontades (controle remoto, celular, internet, cartão de crédito, diferentes rodas de amigos etc). Você pode achar isso errado, mas eu acho isso bacana. Por que aceitar as coisas como sempre foram? Por que? Por que? Por que?

A pergunta que não quer calar é: COMO É POSSÍVEL UM PAÍS EM DESENVOLVIMENTO COMO O BRASIL NÃO TER TRABALHO PARA TODAS AS PESSOAS?

Como pode???!!! Como pode um lugar que não tem escolas, não tem empresas, não tem estradas, não tem hospitais, não tem faculdades, não tem teatros e cinemas, não tem parques, não tem campos de futebol o suficiente para TODAS as pessoas NÃO TER EMPREGO PARA TODAS AS PESSOAS????

Somos ou não somos MUITO RUINS???

Eu quero mudanças, MUDANÇAS REAIS!!

SEGUNDO PARÁGRAFO: Ninguém precisa ficar mais que 8 horas por dia em um escritório. Ok, eu aceito trabalhar na sua empresa. Mas, quantas horas exatamente de trabalho você precisa de mim? Eu trabalho muito mais rápido do que as gerações anteriores. Se você me der diretrizes claras eu vou fazer o meu trabalho no tempo que tem que ser feito sem perturbar ninguém. A geração BASF adora trabalhar, mas sabe que consegue realizar a maioria das suas funções do conforto da sua casa, ou de uma Starbucks.

A coisa mais imbecil que alguém pode estar fazendo nesse momento é torrando milhões de reais com o aluguel ou compra de escritórios sofisticadíssimos em algum ponto ultra valorizado da cidade.

Essa compra é boa apenas para a elite da cidade que está faturando uma grana federal em cima de alguns executivos boçais que precisam de status para se manter no cargo.

TERCEIRO PARÁGRAFO: A Facebook é tão importante quanto o meu salário. Ok, eu aceito trabalhar na sua empresa. Mas, se você proibir o acesso a Facebook, Orkut, Blogs, G-Mail, YouTube, Twitter ou qualquer mídia social eu peço demissão. Os velhos caquéticos não conseguem entender o que existe de tão interessante nas mídias sociais. Para a geração BASF checar as últimas atualizações da Facebook é a mesma coisa que checar os recados na caixa postal da sua secretária eletrônica. Ok, fique para trás. Desculpe. A geração BASF entende que as mídias sociais são uma excelente maneira de fazer networking, aprender, descobrir insights, vender, fazer negócios e prosperar.

QUARTO PARÁGRAFO: O meu Salário é tão importante quanto o meu Trabalho. Ok, eu aceito trabalhar na sua empresa. Mas, não me venha com vídeos e palestras motivacionais imbecis para me iludir quando não puder me pagar bem. Eu quero liberdade para cobrar um aumento de salário quando eu sentir que mereço. A geração BASF se sente completamente a vontade em cobrar o que lhe é devido. Essa geração quer VENCER, não quer enrolação. Chega desse papo furado de “Brasil País do Futuro”, se você não brigou por um país melhor para você e para a sua geração o problema é seu. Eu quero mudanças.

QUINTO PARÁGRAFO: Eu quero estudar no horário de Trabalho. Ok, eu aceito trabalhar na sua empresa. Mas, eu quero ter a autonomia de formar grupos de trabalho para estudar como seremos mais inovadores e responsáveis dentro do horário de trabalho. A faculdade não vai resolver o problema da empresa. A Geração BASF sabe que tem que continuar a estudar a vida inteira, e praticar o que aprende. Funcionários lendo livros e estudando manuais da empresa em pleno horário de trabalho parece doideira para muitos velhos obsoletos que circulam por aí, mas faz todo o sentido para a geração BASF.

Muitos não entendem isso, mas VENCER é sobre estudar o ambiente em que estamos vivendo a aplicar o que aprendemos imediatamente.

SEXTO PARÁGRAFO: Eu quero o meu Mestre Jedi! Ok, eu aceito trabalhar na sua empresa. Mas, eu quero saber quem será o guru que irá me bater, me colocar no eixo, fornecer feedbacks, apertar o meu calo, torcer o meu pescoço quando eu precisar. Eu não preciso de motivação, eu preciso de direção! Eu quero um Coach! Eu quero alguém para me orientar. Eu quero alguém que realmente se importa com o crescimento das pessoas. Essa geração não aceita autoridade por autoridade, mas respeita quem demonstra conhecimento, assertividade e incrível vontade de ENSINAR e VENCER. Relatórios Anuais de Desempenho ou Feedback 360 graus é para imbecil. A geração BASF quer feedback TODOS OS DIAS. A geração BASF está acostumada com paparicação todos os dias. Seja na Facebook, Orkut, Twitter etc, a geração atual quer interação e feedacks imediatos.

Não seja envergonhado, saia de trás da sua mesa caquética de mogno envelhecido e entre na conversa.

“Quando no curso dos acontecimentos humanos se faz necessário para uma geração dissolver os vínculos políticos que a uniram a outra geração, e tomar um posto separado e igual que lhe é de direito.”

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?

Ricardo Jordão Magalhães
Jedi Construtivista
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